Senar Goiás
26.mar.2026
Agronegócio brasileiro: entenda para onde o setor está caminhando
Para quais caminhos o agronegócio brasileiro deve seguir em 2026?
O setor vive um momento de transformações importantes. Avanços tecnológicos, exigências cada vez maiores de sustentabilidade, mudanças regulatórias e novas demandas do mercado estão redesenhando a forma de produzir e gerir os negócios no campo.
A seguir, você vai conhecer algumas tendências que devem impactar o agronegócio brasileiro ao longo do ano.
Mercado Europeu
O Acordo de Parceria Mercosul–União Europeia, assinado em janeiro de 2026, pode ampliar o acesso do agronegócio brasileiro ao mercado internacional.
Os dois blocos somam cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB de aproximadamente US$ 22,4 trilhões, tornando o acordo um dos maiores pactos comerciais do mundo.
A proposta prevê a eliminação de tarifas sobre cerca de 95% dos bens comercializados, o que pode favorecer exportações brasileiras de produtos como carne bovina, aves, café, frutas, mel, destilados e frutas.
Ao mesmo tempo, a abertura de mercados traz novas exigências. Para competir globalmente, produtores precisarão se adequar a critérios cada vez mais rigorosos relacionados a:
— certificações ambientais;
— rastreabilidade da produção;
— monitoramento de emissões;
— padrões de sustentabilidade exigidos por mercados internacionais.
Esses fatores tendem a influenciar cada vez mais a competitividade do agronegócio brasileiro.
Inteligência artificial
A digitalização do campo continua avançando, e a inteligência artificial tende a ganhar mais espaço na gestão das propriedades rurais.
Nos últimos anos, a tecnologia foi usada principalmente como ferramenta de apoio operacional. Agora, novas soluções começam a permitir análises mais complexas e decisões automatizadas.
Segundo estudos recentes do setor, apenas 23% das empresas do agro consideram variáveis climáticas nas decisões de compra e logística, mostrando um grande potencial de avanço no uso de dados no campo.
Entre as aplicações que devem crescer estão:
— monitoramento climático e análise de dados meteorológicos;
— softwares de gestão agrícola;
— planejamento de compras de insumos;
— otimização do manejo da produção;
— gestão financeira baseada em dados.
A tendência é que tecnologias digitais se tornem cada vez mais presentes no dia a dia das propriedades, apoiando decisões mais estratégicas e aumentando a eficiência produtiva.
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Bioinsumos
Os bioinsumos também ganham espaço no agronegócio brasileiro.
Essas soluções biológicas têm sido cada vez mais adotadas como alternativa para tornar a produção mais sustentável e enfrentar desafios climáticos. A expectativa é que a demanda por bioinsumos cresça nos próximos anos, impulsionada principalmente pelo uso de biofertilizantes e defensivos biológicos.
Outro indicador da expansão desse mercado está na inovação tecnológica. Em 2025, cerca de 73% das patentes relacionadas à agricultura sustentável estavam concentradas em tecnologias ligadas a bioinsumos e defensivos biológicos.
Esse avanço reforça uma tendência importante: a busca por soluções produtivas que conciliam eficiência agrícola e redução de impactos ambientais.
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Rastreabilidade e transparência na cadeia produtiva
A rastreabilidade vem se consolidando como um dos temas mais relevantes para o agronegócio brasileiro.
Essa prática permite acompanhar a trajetória de um produto desde a origem até o consumidor final, garantindo maior transparência na cadeia produtiva.
No Brasil, iniciativas como o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Pnib) pretendem monitorar cerca de 238 milhões de cabeças de gado até 2032, utilizando identificação individual por dispositivos eletrônicos.
A rastreabilidade contribui para:
— comprovação de produção livre de desmatamento;
— controle de emissões de carbono;
— garantia de bem-estar animal;
— conformidade com exigências de mercados internacionais.
Além de atender exigências regulatórias, essa prática também fortalece a confiança do consumidor e pode agregar valor aos produtos.
Reforma tributária e gestão fiscal no campo
Outro tema que deve ganhar atenção no agronegócio brasileiro é a reforma tributária.
A partir de 2026, o país inicia a transição para um novo modelo de tributação sobre o consumo, que substituirá tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos impostos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Embora a implementação seja gradual e se estenda até 2032, o novo sistema exige mudanças importantes na organização financeira das propriedades rurais.
Entre os principais impactos estão:
— maior controle de operações e documentos fiscais;
— adaptação aos novos modelos de tributação;
— planejamento tributário mais estratégico;
— adequação a novos sistemas de registro e emissão de notas fiscais.
Essas mudanças reforçam a importância da gestão financeira e fiscal no campo.
O futuro do agronegócio brasileiro
O agronegócio brasileiro continua sendo um dos principais motores da economia nacional, mas o setor entra em uma fase em que a competitividade depende cada vez mais de conhecimento, inovação e gestão.
Tendências como digitalização, sustentabilidade, novos mercados e mudanças regulatórias devem influenciar o rumo do setor nos próximos anos.
Nesse cenário, produtores que acompanham essas transformações e investem em capacitação estarão mais preparados para aproveitar oportunidades e fortalecer seus negócios no campo.